Um poema morreu lentamente... Ele nascia belo e impoluível mas receei-o quando me aflorava nos dedos e se encrespava de angústia e perturbação. Melindrei-o, eu sei!

Um poema morre lenta e dolorosamente, quando arrancado do lugar cimeiro que o fez semente e se soterra de palavras apetecidas. 

Não nascem poemas na falta de paixão, morrem antes de nascer, morrem de trivialidade e rotina, de consequências do vazio, da superficialidade e indiferença. 

Morrem poemas dia a dia nas rimas da dura sobrevivência, nos versos de anseio e posse, no catavento dos destinos tristes e pobres. 
Os poemas morrem por incompletude  e, no auge dessa tragédia, poetas  jazem moribundos, sepultando de vez a poesia